REPORTAGEM ESPECIAL

O assassinato de Benê: relembre o caso que gerou revolta em Bela Vista

A sequência de espancamentos que terminou com o homicídio e ocultação de cadáver de Lucas Henrique dos Santos Ferraz (19 anos à época), o Benê, começou na virada do dia 10 para 11 de dezembro de 2016, de sábado para domingo, no posto de combustíveis Indy, no centro de Bela Vista do Paraíso. Os fatos foram narrados na denúncia apresentada pela Promotoria de Justiça do Ministério Público (MP) de Bela Vista, e pelas testemunhas ouvidas em juízo. Foi o réu confesso Bruno César da Costa (24) quem iniciou as agressões.

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O MP sustenta que o motivo tenha sido uma rixa entre Lucas e os denunciados Willian Ricardo Chaves da Costa (30) e Ricardo Aparecido Chaves (42), além de uma suposta amizade de Benê com pessoas que teriam atirado em Bruno. Depois que Bruno iniciou as agressões, do lado de fora do posto, Willian e Junior Cesar da Costa Choptian (20) também se juntaram a ele, desferindo socos e chutes contra a vítima. Ricardo teria ameaçado pessoas para que não ajudassem Lucas.

Willian, Bruno, Ricardo (de amarelo) e Junior (canto direito). Fotos: Divulgação.

O ASSASSINATO DE BENÊ
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Na sequência, a vítima teria conseguido fugir para dentro da loja de conveniência do posto, e os quatro acusados exigiam que o segurança lhes entregasse o jovem. Retirado do local, Lucas passou a ser agredido novamente por Bruno, William e Junior. Ajudado por outras pessoas, ele conseguiu correr, sendo perseguido a pé e por um carro que pertencia a Ricardo. A vítima procurou abrigo na Lanchonete do Tinir, na rua Sérgio Lara. Porém, foi retirada de lá por Bruno e os acusados a agrediram novamente.

Nas horas seguintes, Lucas desapareceu.

REVOLTA

O desaparecimento de Benê, após a sequência de espancamentos testemunhada por diversas pessoas, gerou revolta em amigos e familiares. Eles organizaram protestos com queima de objetos. Chegaram até mesmo a depredar e atear fogo na casa de Ricardo. No meio da confusão algumas pessoas também saquearam a residência. A polícia precisou intervir por diversas vezes. Em um dos protestos, na quinta-feira, 15 de dezembro, uma avenida foi fechada. Os manifestantes cobravam das autoridades informações sobre o paradeiro de Lucas.

Enquanto isso, os quatro acusados já estavam longe. Na quarta-feira, 14 de dezembro de 2016, eles foram levados para um chácara em Alvorada do Sul. De lá, fugiram para Campo Grande (MS). Willian, que era vereador, chegou a pedir, na segunda-feira, 12 de dezembro, R$ 900 de diária para Câmara Municipal, alegando que seria para viajar para Curitiba.

O corpo foi encontrado pela Defesa Civil no leito do Ribeirão Vermelho. Foto: Reprodução/Whatsapp

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Em 16 de dezembro, o corpo de Lucas foi encontrado pela Defesa Civil enrolado em uma rede de balanço junto com algumas pedras, no leito do Ribeirão Vermelho. Além do espancamento, a vitima levou um tiro na parte de cima da cabeça.

No dia seguinte, 17 de dezembro, os quatro foram presos em Iguatemi (MS), em uma ação conjunta da Polícia Civil. Um deles estava em uma casa enquanto os outros estavam em uma festa do laço que ocorria na cidade. Havia a suspeita de que eles fugiriam para o Paraguai.


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Published by
Filipe Muniz

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