“A gente quer fazer uma política nova”, diz o novo presidente da Câmara Municipal

Foto: Filipe Muniz

No dia em que completou 37 anos, Fernando Menck (SD) ganhou de presente a sua estréia na cadeira de presidente da Câmara Municipal de Bela Vista do Paraíso. O vereador presidiu a primeira sessão do legislativo em 2019, que ocorreu na terça-feira (5). Horas antes, ele concedeu entrevista exclusiva ao Telégrafo.

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Acompanhado do advogado da Câmara, Alisson Moya Rossi, Fernando Menck foi questionado sobre como devem ser os próximos dois anos, as mudanças que pretende implementar e o legado que gostaria de deixar. A reportagem também fez perguntas sobre temas mais polêmicos, como a quantidade de servidores comissionados, as diárias gastas pelos vereadores, a relação com o executivo, além de questionar se ele pretende se candidatar a prefeito nas próximas eleições. Confira os principais trechos da entrevista:

Por que você resolveu se candidatar a presidente da Câmara?

Fernando Menck: Na verdade, eu nunca tive a ganância de ser presidente. Desde que eu fui eleito – o vereador mais votado – era para eu ter sido presidente, mas eu não quis, até pela experiência. Como era o primeiro mandato e eu estava entrando na política, eu não tinha o conhecimento da Câmara. Hoje também, pra ser bem sincero, não era um objetivo principal meu. Eu preferia continuar como vereador normal, mas esse grupo, eles se decidiram e todos votaram em mim para ser o presidente. E eu acabei aceitando.

Com esse cargo, você deve se tornar vidraça. Como pretende lidar com as críticas? Elas te incomodam?

Fernando Menck: Eu já venho sendo atacado, levando umas pedradas, e vai ser pior ainda. Então por isso que a gente quer fazer uma mudança, uma política nova. As críticas, não vou falar que não incomodam, elas incomodam. Mas a crítica política que entrei sabendo que ia ter. O problema são algumas críticas pessoais. Isso, sim, incomoda. Porque eu tenho filhos, tenho uma família, eu tenho um comércio, então eu fico sentido nessa parte, de mexer com a vida pessoal minha. Algumas cobranças e críticas são de coisas que eu não posso fazer. Eu não sou o executivo. Tem muitas coisas que eles deveriam estar cobrando do prefeito, não do legislativo.

Como você espera que seja esse biênio sob sua presidência, e o que você quer deixar como legado?

Fernando Menck: Eu queria deixar um legado de mudança. Já começa em cortes de cargos e despesas. E um legado de ter conseguido cumprir o objetivo fazendo as coisas certas e tudo da forma mais transparente possível. Nós vamos estar mudando [o processo] para que 48h antes esteja tudo protocolado para na segunda-feira, 24h antes da sessão, estar no site para as pessoas verem qual vai ser a pauta, o debate que vai estar sendo feito na Câmara.

No ano passado a Câmara exonerou os seus cinco servidores comissionados. Nesse ano, contratou apenas uma. Você pretende contratar mais algum?

Fernando Menck: Agora, começando as sessões e voltando o ano normal, acho que pelo menos mais uma pessoa a gente vai ter que contratar. Mas vão ser, no máximo, dois funcionários. Eram cinco e a gente vai estar cortando três. E excluindo esses cargos, porque se o próximo presidente quiser voltar esses cargos, aí ele que vai ter que fazer esse projeto de lei.
Alisson Rossi: Estamos vendo a possibilidade de ter um assessor parlamentar, que é de todos os vereadores, porque quando o vereador quer fazer um projeto de lei, ele depende de alguns funcionários, ou ele faz com algum conhecido, então esse cargo que a gente está pensando vai ser para isso. Porque às vezes o vereador precisa, e eu ajudo, mas não é minha função. Minha função é defender [a Câmara] nos processos que chegam do Fórum, do Tribunal de Contas…

“O que for bom para o município nós vamos estar ajudando” disse Menck sobre a relação com a prefeitura. Foto: Filipe Muniz/Telégrafo (28/09/2018)

Outra questão muito criticada são os gastos com diárias. O que você pensa sobre isso? Dá pra colocar algum limite?

Fernando Menck: Nós vamos estar regulamentando as diárias. Eu vou entrar com um projeto nos próximos 30 dias, tanto para diárias quanto para cursos. Então vai ser mais complicado de ser liberado. Eu acho que nós vamos ter uma redução de 90%. Hoje, nós temos 100% dos cursos on-line. Então a Câmara pode pagar fazer on-line. Eu acho que não precisa se deslocar. Por exemplo, dois que queriam fazer agora, no começo do mês. Ficava em R$ 7 mil, entre as diárias e o curso, sendo que é R$ 150 ou R$ 180 on-line. Ou, se todos os vereadores quiserem fazer, a gente paga a pessoa para vir dar o curso aqui, que sai mais barato.

Sendo você o filho do vice-prefeito e fazendo parte da base do prefeito, como deve ficar a relação da Câmara com a Prefeitura?

Fernando Menck: O que for bom para o município nós vamos estar ajudando, mas sempre encaminhando para o jurídico analisar e dar um parecer, e encaminhando para as comissões para dar os seus pareceres. Sempre com independência, mas com uma harmonia.

Você faz parte de um grupo político que envolve ter o apoio do governador e de alguns deputados, ao mesmo tempo que é importante para eles ter Quem os apoie nos municípios. Com toda essa articulação política, você pretende concorrer a prefeito nas próximas eleições?

Fernando Menck: Hoje é muito cedo. A gente não pode falar ainda. Hoje, meu objetivo são esses dois anos aqui na Câmara, fazer um trabalho honesto, e depois é consequência. Mas hoje, não tem nem como te falar isso.


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