Colégio Presidente Vargas realiza programação sobre consciência negra

(Arraste as imagens para a esquerda)

“Existe uma história do povo negro sem o Brasil, mas não existe uma história do Brasil sem o povo negro”. Esta foi a frase escolhida para a capa do roteiro das atividades desenvolvidas pelo Colégio Estadual Presidente Vargas, em Santa Margarida, sobre o tema da consciência negra. Em alusão à data comemorada em 20 de novembro, professores e alunos produziram diversas exposições, além de apresentações de teatro e dança.

O poema declamado pelos alunos abriu a programação. Fotos: Filipe Muniz

Estudantes de outras escolas de Bela Vista do Paraíso também visitaram as exposições, que foram realizadas nos três períodos desta quarta-feira (5). As atividades foram desenvolvidas ao longo do ano pela equipe multidisciplinar do colégio, que tem a função de discutir e promover ações para colocar em prática o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena, determinado em lei. “No início do ano eu chamei os professores para pensar em alguma coisa para ser feita no fim do ano. E as ideias foram surgindo. Eles começaram a pensar e se entrosar”, disse o pedagogo e coordenador da equipe multidisciplinar, Antônio Bento Rampazzo.

A peça teatral falou sobre o bullying por origem.

“É importante frisar que não se trata de fazer nenhuma apologia, ou de defender privilégios de nenhuma minoria, mas queremos apenas que entendam que todos são iguais”, falou a professora de português Silvana Xisto Fiori.

Três alunos fizeram uma apresentação de dança.

O evento começou com a apresentação de um poema, seguido de uma dança e uma peça teatral sobre bullying. “O bullying é também uma maneira de discriminação e exclusão que os alunos passam. E a gente resolveu falar [na peça] da discriminação por origem. Quando alunos vão para escolas de Londrina e falam que são de Bela Vista do Paraíso, ou Alvorada do Sul, por exemplo, sofrem bullying. E até aqui, quem é de uma zona rural ou de uma periferia também sofre”, contou a professora.

Os quadros foram pintados com lápis de cor sobre madeira.

Exposições

Três salas de aula foram o espaço dedicado às exposições. Os balões de fala, fixados nas paredes, lembravam a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. Também trouxeram trechos de leis e da Constituição Federal que tratam da igualdade e do respeito às diferenças. Um desses trechos foi o do artigo 5º: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

Outras peças expostas foram os quadros de vários tamanhos desenhados e pintados a lápis de cor sobre madeira. Uma das professoras que ajudaram a pintar os quadros foi Andreza Braga. Ela conta que procurou inserir nos trabalhos alguns conceitos geométricos ensinados em suas aulas de matemática. “Nos quadros que eu pintei eu procurei adotar os principais conceitos geométricos, como perspectiva, proporção, simetria, figuras geométricas planas, conceitos estudados nas séries iniciais, para que as pessoas possam ver que foi utilizado esse projeto para fixar conteúdo estudado em sala de aula”, disse.

As bonecas Abayomi eram produzidas com nós e tranças.

Também foram produzidas, com tinta sobre papelão, as famosas máscaras africanas. Outro destaque foram as bonecas Abayomi. Consideradas um símbolo de resistência, elas eram produzidas pelas mães africanas por meio de tranças ou nós dados em retalhos de suas roupas. O objetivo era acalentar os filhos durante as viagens nos navios que transportavam escravos entre o continente africano e o Brasil.

Ensaio

Outro trabalho realizado pela escola foi um ensaio fotográfico com alunos negros, feito com fotógrafo profissional. As roupas estampadas utilizadas no ensaio foram doadas por comerciantes locais. “Nós percebíamos essa questão da baixa autoestima. A sociedade tem um padrão de beleza e quem foge disso, que é a maioria, a autoestima fica baixa. Então se trata de autoaceitação e, mais do que isso, de ver beleza em si mesma”, disse a professora Silvana Xisto Fiori.

A professora de geografia Ana Cristina da Silva participou diretamente da produção do ensaio. “Nós víamos as meninas sempre com o cabelo amarrado, escondendo a beleza delas. Hoje, não. Elas vêm de cabelo solto, elas trançam os cabelos, sendo que antigamente elas morriam de vergonha de fazer essas tranças”, conta.

Conforme registrava o roteiro, o objetivo do ensaio foi também de empoderar os alunos, fazendo com que eles percam a vergonha e valorizem sua beleza natural. “Eu, sendo uma professora negra, acredito que nós temos uma beleza ímpar, uma beleza diferente. Nós somos a maioria, mas somos tratados como minoria”, afirmou Ana Cristina.


”Facebook”/